segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Bandalheira no Judiciário

clip_image001

A ministra Eliana Calmon, a corregedora do CNJ: "Eu sou uma rebelde que fala"

A corte dos padrinhos

A nova corregedora do Conselho Nacional de Justiça diz que é comum a troca de favores entre magistrados e políticos

 

Em entrevista a VEJA, Eliana Calmon mostra o porquê de sua fama.

Ela diz que o Judiciário está contaminado pela politicagem miúda, o que faz com que juízes produzam decisões sob medida para atender aos interesses dos políticos, que, por sua vez, são os patrocinadores das indicações dos ministros.

Por que nos últimos anos pipocaram tantas denúncias de corrupção no Judiciário?

Durante anos, ninguém tomou conta dos juízes, pouco se fiscalizou. A corrupção começa embaixo. Não é incomum um desembargador corrupto usar o juiz de primeira instância como escudo para suas ações. Ele telefona para o juiz e lhe pede uma liminar, um habeas corpus ou uma sentença. Os juízes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções. Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.

A senhora quer dizer que a ascensão funcional na magistratura depende dessa troca de favores?

O ideal seria que as promoções acontecessem por mérito. Hoje é a política que define o preenchimento de vagas nos tribunais superiores, por exemplo. Os piores magistrados terminam sendo os mais louvados. O ignorante, o despreparado, não cria problema com ninguém porque sabe que num embate ele levará a pior. Esse chegará ao topo do Judiciário.

Esse problema atinge também os tribunais superiores, onde as nomeações são feitas pelo presidente da República?

Estamos falando de outra questão muito séria. É como o braço político se infiltra no Poder Judiciário. Recentemente, para atender a um pedido político, o STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal.

A tese que a senhora critica foi usada pelo ministro Cesar Asfor Rocha para trancar a Operação Castelo de Areia, que investigou pagamentos da empreiteira Camargo Corrêa a vários políticos.

É uma tese equivocada, que serve muito bem a interesses políticos. O STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal. De fato, uma simples carta apócrifa não deve ser considerada. Mas, se a Polícia Federal recebe a denúncia, investiga e vê que é verdadeira, e a investigação chega ao tribunal com todas as provas, você vai desconsiderar? Tem cabimento isso? Não tem. A denúncia anônima só vale quando o denunciado é um traficante? Há uma mistura e uma intimidade indecente com o poder.

Existe essa relação de subserviência da Justiça ao mundo da política?

Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político.

Mas a senhora, como todos os demais ministros, chegou ao STJ por meio desse mecanismo.

Certa vez me perguntaram se eu tinha padrinhos políticos. Eu disse: "Claro, se não tivesse, não estaria aqui". Eu sou fruto de um sistema. Para entrar num tribunal como o STJ, seu nome tem de primeiro passar pelo crivo dos ministros, depois do presidente da República e ainda do Senado. O ministro escolhido sai devendo a todo mundo.

No caso da senhora, alguém já tentou cobrar a fatura depois?

Nunca. Eles têm medo desse meu jeito. Eu não sou a única rebelde nesse sistema, mas sou uma rebelde que fala. Há colegas que, quando chegam para montar o gabinete, não têm o direito de escolher um assessor sequer, porque já está tudo preenchido por indicação política.

Há um assunto tabu na Justiça que é a atuação de advogados que também são filhos ou parentes de ministros. Como a senhora observa essa prática?

Infelizmente, é uma realidade, que inclusive já denunciei no STJ. Mas a gente sabe que continua e não tem regra para coibir. É um problema muito sério. Eles vendem a imagem dos ministros. Dizem que têm trânsito na corte e exibem isso a seus clientes.

E como resolver esse problema?

Não há lei que resolva isso. É falta de caráter. Esses filhos de ministros tinham de ter estofo moral para saber disso. Normalmente, eles nem sequer fazem uma sustentação oral no tribunal. De modo geral, eles não botam procuração nos autos, não escrevem. Na hora do julgamento, aparecem para entregar memoriais que eles nem sequer escreveram. Quase sempre é só lobby.

Como corregedora, o que a senhora pretende fazer?

Nós, magistrados, temos tendência a ficar prepotentes e vaidosos. Isso faz com que o juiz se ache um super-homem decidindo a vida alheia. Nossa roupa tem renda, botão, cinturão, fivela, uma mangona, uma camisa por dentro com gola de ponta virada. Não pode. Essas togas, essas vestes talares, essa prática de entrar em fila indiana, tudo isso faz com que a gente fique cada vez mais inflado. Precisamos ter cuidado para ter práticas de humildade dentro do Judiciário. Épreciso acabar com essa doença que é a "juizite".

sábado, 29 de outubro de 2011

Prefeitura de Canudos "ignora" casa durante construção de pista



Foto: Romulo Rebelo/Canudos.Ne

Uma moradora da cidade de Canudos, a 350 Km de Salvador, vive uma situação inusitada desde que foi surpreendida por uma obra de pavimentação realizada pela prefeitura, que "ignorou" a presença do imóvel durante a construção. O terreno onde fica a casa, era ocupada de forma desordenada. Somente esta casa foi afetada.
Segundo Maria Lúcia Brito da Silva, proprietária do imóvel que fica localizado na Rua do Conselheiro, "faz mais de três meses que a pista foi construída, funcionários da prefeitura vieram, prometeram construir uma nova casa atrás da minha, e até agora nada". Maria Lúcia conta ainda que já foi à prefeitura por quatro vezes, e suas reivindicações não foram ouvidas.
O prefeito de Canudos, Arcênio Neto, afirma que a área na qual a casa de Maria Lúcia foi construída é de domínio do poder público e que, mesmo sem a obrigatoriedade, prometeu à família que irá construir uma nova moradia no local. "O município já garantiu que irá ressarcir a família. Informações do G1.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Horário de Verão na Bahia - *Wagner, o relógio dos empresários e a constatação: Um governo anti-democrático

No último domingo (16 de outubro), a população das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e da Bahia adiantaram seus relógios em uma hora do horário legal, entraram no Horário de Verão.

Ele é adotado por iniciativa do Poder Executivo, com vistas a limitar a máxima carga a que o sistema elétrico fica sujeito, no período do ano de maior consumo, aumentando, assim, a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional, constituído pelas linhas de transmissão e pelas usinas que atendem as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e parte da região Norte. Adicionalmente, a adoção do Horário de Verão possibilita uma certa economia de energia ao País.

Apesar dessa aparente relevante motivação técnica, suas justificativas são insubsistentes ou, apesar de válidas, são insuficientes diante dos efeitos colaterais que o Horário de Verão tem sobre a vida das pessoas, em especial, à vida das pessoas que vivem no estado onde os índices de violência e criminalidade só avançam numa curva ascendente jamais vista na Bahia.

Nos estados do eixo sul, onde a jornada de trabalho exige do trabalhador um menor período de sono, por conta do tempo gasto com deslocamentos deficitários (mobilidade urbana), estes são obrigados a iniciar o gasto com energia de maneira mais robusta, logo ao acordarem, deslocando o pico de consumo para um horário mais cedo do que o desejável. Ou seja, a economia torna-se menor ainda, na perspectiva nacional.

O Estado da Bahia, por sua vez, que esteve fora do esquema de economia desde 2005 – sob decisão tomada após realização de estudos sobre a economia de energia, consulta a segmentos da sociedade baiana e realização de sondagem junto à população, segundo o que foi amplamente divulgado à época – volta a aderir, com alegações extremamente contraditórias para um governo que se auto-proclama republicano e democrático.

Em seu anúncio oficial[1], o chefe do executivo baiano declarou ter feito outro estudo que justificou o pedido documentado pelo "empresariado baiano" [2], e sem nenhuma consulta pública ou mesmo uma sondagem direta à população, decidiu unilateralmente pela adesão da Bahia ao Horário de Verão.

Secundarizando princípios basilares da gestão pública, estímulo à democracia e, sobretudo, à participação popular, desprezando o pensamento da maioria da população, o governador foi além e tentou justificar sua decisão afirmando que os baianos e baianas que reclamam a necessidade de acordarem mais cedo poderão compensar à noite. Entretanto, o ex-sindicalista Wagner, desconsidera aspectos culturais e biológicos dos trabalhadores em favor do apelo feito pelo empresariado, fundamentado pela caracterização da impossibilidade do relógio baiano estar fora dos ponteiros das regiões economicamente mais ativas, no bolo nacional.

Raciocínio cientificamente contestável, uma vez que é sabido que a qualidade do sono de uma população tem impactos imediatos, objetivos e concretos nos rendimentos produtivos. A mais singela alteração no ciclo do sono trás conseqüências dessas mudanças na saúde do trabalhador e no seu desempenho laboral, de tal maneira que o resultante é uma queda na produção final[3]. É fato, quem levanta com sono, almoça sem fome e dorme sem sono, tem uma única resposta do corpo: uma jornada sonolenta e fragilizada.

Não fosse pouca toda essa situação, tem o fator de exposição do trabalhador ao crescimento da violência no estado. E sobre isso, mesmo acreditando em medidas positivas à longo prazo, com a sistematização de um planejamento estratégico na área de segurança pública, a redução dos efeitos da criminalidade estão longe de acontecerem. Só em seu primeiro ano de governo (quando Wagner manteve a Bahia fora do Horário de Verão) o índice de homicídios tinha aumentado em 50% ao ano anterior, e é justamente por conta deste cenário que a manifestação negativa mais popular ganhou sustentação.

A importância deste aspecto foi materializada no documento elaborado pelo Sindicato dos Rodoviários[4], entidade filiada à CUT que, apesar de não ter feito uma luta mais consistente sobre esse processo, apresentou dados que reafirmam a argumentação trazida aqui.

Como alternativa ao horário de verão como vetor de economia, o Poder Executivo deveria lançar mão por uma ampla campanha que envolvesse a população de maneira mais direta na economia de energia, levantando didaticamente os ganhos que essa campanha poderia trazer à população de conjunto, exemplificando, através do que foi o apagão já vivenciado pelos baianos e baianas, o significado de um esforço coletivo.

Ademais, é urgente o debate sobre os modais de captação e distribuição de energia. Neste sentido, a Bahia, através de seu potencial natural e com mais tempo de luz solar, pode iniciar a transformação da forma de desenvolvimento em seu território. É o momento de ser pensado um desenvolvimento sustentável numa plataforma equilibrada e de baixos impactos como a energia solar e eólica, a Bahia tem campo para isso, basta vontade política.

Vontade essa que esta confrontada. Já que os poderes executivos (estado-união) estão em um patamar de relação com mais proximidade por, efetivamente, estarem sob um mesmo projeto. Não é possível aceitar que o horário de verão seja a pauta de pertencimento da Bahia ao restante deste projeto. Equivocam-se então quem, mesmo com este pensamento, ainda tenta construir uma identidade republicana ou minimamente federalizada.

A Bahia precisa pensar este conjunto de elementos e, na medida em que configurada sua viabilidade, cobrar democraticamente o respeito ao desejo popular.

 

*Ícaro Argolo é advogado e especializando em Gestão Pública pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB)



[1]              Disponível em: http://tinyurl.com/3s9799e

[2]              Disponível em: http://tinyurl.com/3l7q29b

[3]              Disponível em: http://www.medicina.ufmg.br/rmmg/index.php/rmmg/article/viewFile/229/212

[4]              Disponível em: http://tinyurl.com/3chx4oj  


sábado, 15 de outubro de 2011

Nota de desagravo ao presidente do PSOL-MG, João Batista Fonseca

A Executiva Nacional do PSOL, reunida no dia 14 de outubro de 2011, em São Paulo, vem manifestar seu total apoio e confiança no militante, membro do Diretório Nacional e presidente do PSOL-MG, João Batista Fonseca, ativista e dirigente de importantes movimentos sociais, atuando nas principais lutas populares em seu estado e no Brasil, portador de uma biografia socialista, democrática, que muito orgulha nosso partido.
Portanto, são descabidas quaisquer insinuações que desabonem a militância do dirigente João Batista à frente do PSOL.
 
 
São Paulo, 14 de outubro de 2011
 
Executiva Nacional do PSOL 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ITABATÃ TEM FESTA COMEMORATIVA EM LOCAL IMPRÓPRIO

FONTE>>>>>http://www.mucuriverdade.com.br/itabata-tem-festa-comemorativa-em-local-improprio
 


ITABATÃ TEM FESTA COMEMORATIVA EM LOCAL IMPRÓPRIO

Neste fim de semana, a partir de sexta-feira, dia 30/09, será realizada a festa de comemoração de Itabatã. Com uma extensa programação, que inclui diversas atrações musicais, cavalgada, encontro de motoqueiros e área de alimentação; o evento anda empolgando o público, e termina somente no domingo.

Haverá também a inauguração da Praça João Carletti, que fica na região central do distrito. Tudo ótimo, não fosse por um pequeno detalhe: o local onde irá acontecer esta festa ficar ao lado do Hospital Paineiras. Independentemente da posição em que foi montado o palco, o som produzido obviamente ecoará pelos quatro cantos da cidade. Se, em todo o mundo, é sabido que ao redor de áreas hospitalares, é obrigatório o não uso de sinais sonoros, que dirá então o alarde gerado por shows musicais.

Será que ninguém, no momento de decidir sobre um local adequado, pensou nisso? Será que a Prefeitura Municipal, como idealizadora do evento, não percebeu a estranheza da situação? Não seria ela, a Prefeitura, a primeira a dar exemplo de cumprimento de uma lei tão simples, e tão conhecida? E a administração do referido Hospital? Será que não se manifestou, solicitando a transferência da festa para outro lugar? Sabemos que em Itabatã existem locais mais propícios para isso, e realmente não dá para entender a escolha que foi feita.

O mesmo cuidado que foi feito na realização da obra da praça João Carletti, deveria ter sido repetido ao ser tomada a decisão a respeito do local de inauguração da mesma. Todos somos cidadãos, e desejamos melhorias para a nossa cidade, mas o primeiro exemplo de cidadania deveria ser dado por quem cuida da administração dela.

GALERIA DE FOTOS

100_2811_800x600
100_2812_800x600
100_2813_800x600

100_2814_800x600
100_2815_800x600
100_2817_800x600

100_2818_800x600
100_2819_800x600
100_2820_800x600

100_2816_571x600

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

FIDELIDADE PARTIDÁRIA

O Tribunal Superior Eleitoral editou a Resolução-TSE nº 22.610, de 25.10.2007, alterada pela Resolução-TSE nº 22.733, de 11.03.2008, que disciplina o processo de perda de cargo eletivo e justificação de desfiliação partidária.

De acordo com a Resolução, o partido político interessado pode pedir, perante a Justiça Eleitoral, a decretação da perda de cargo eletivo em decorrência de desfiliação partidária sem justa causa.

Conforme § 1º, do art. 1º, considera-se justa causa a incorporação ou fusão do partido, a criação de novo partido, a mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário e grave discriminação pessoal.

Podem formular o pedido de decretação de perda do cargo eletivo o partido interessado, o Ministério Público Eleitoral e aqueles que tiverem interesse jurídico, de acordo com a norma.

O TSE é competente para processar e julgar pedido relativo a mandato federal. Nos demais casos, é competente o Tribunal Eleitoral do respectivo estado.

Leia, na íntegra, a Resolução-TSE 22.610/2007, com redação dada pela Resolução-TSE nº 22.733/2008.

domingo, 11 de setembro de 2011

Os 39 Traidores do Povo Baiano

CONFIRA A LISTA DOS 39 DEPUTADOS QUE VOTARAM A FAVOR DAS MUDANÇAS NO PLANSERV:  LIMITA O ACESSO A SAÚDE E AUMENTA A MENSALIDADE DO PLANO.
 
1- ADOLFO MENEZ (PRP)
2- ALAN SANCHES (PMDB)
3- ALVARO GOMES (PCdoB)
4- ANGELA SOUSA (PSB)
5- ANGELO CORONEL (PP)
6- BIRA CORÔA (PT)
7- CACÁ LEÃO (PP)
8- CARLOS UBALDINO (PSC)
9- CLAUDIA OLIVEIRA (PTdoB)
10- DELEGADO DERALDO DAMASCENO
11- EUCLIDES FERNANDES (PDT)
12- EURES RIBEIRO (PV)
13- FABRICIO FALCÃO (PCdoB)
14- FATIMA NUNES (PT)
15- IVANA BASTOS (PMDB)
16- J. CARLOS (PT)
17- JOACY DOURADO (PT)
18- JOÃO BONFIM (PDT)
19- JOSÉ DE ARIMATÉIA (PRB)
20- JOSEILDO RAMOS (PT)
21- KELLY MAGALHÃES (PCdoB)
22- LUIZ AUGUSTO (PP)
23- LUIZA MAIA (PT)
24- MARCELINO GALO (PT)
25- MARIA DEL CARMEN (PT)
26- MARIA LUIZA LAUDANO (PTdoB)
27- MARIO NEGROMONTE JÚNIOR (PP)
28- NELSON LEAL (PSL)
29- NEUSA CADORE (PT)
30- PASTOR SARGENTO ISIDORIO (PSB)
31- PAULO RANGEL (PT)
32- ROBERTO CARLOS (PDT)
33- RONALDO CARLETTO (PP)
34- ROSEMBERG PINTO (PT)
35- SIDELVAN NÓBREGA (PRB)
36- TEMOTEO BRITO (PMDB)
37- YULO OITICICA (PT)
38- ZÉ NETO (PT)
39- ZÉ RAIMUNDO (PT)
 
================================================================================================================================================================
 
ESSES SÃO OS VERDADEIROS INIMIGOS DOS PROFESSORES.  REDUZIRAM O ACESSO A SAÚDE E AUMENTARAM A MENSALIDADE DO PLANSERV.
 
LEMBREM-SE DELES E NÃO VOTEM NESSES TRAIDORES DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS DA BAHIA !!!

 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

PSOL NO GRITO DOS EXCLUÍDOS

Nesta Quarta-feira, 9:30 horas, na frente do Teatro Castro Alves, Campo Grande
 
Mais uma vez o PSOL estará no Grito dos Excluídos, levando nossas mensagens de luta. Chega de vender Salvador, a Bahia e o Brasil.
Venha vestido com sua camiseta e traga sua bandeira e faixas.
 
Concentração às 9:30 horas, saída às 10:30 horas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

SISTEMA ELEITORAL - Comissão adia votação da proposta de reforma política, que recebe sugestões

Rodrigo Bittar 


A Comissão Especial da Reforma Política adiou para o dia 13 de setembro o prazo para que os deputados apresentem emendas ao anteprojeto do relator, Henrique Fontana (PT-RS). Com isso, a votação do relatório final foi transferida para o dia 21. Os prazos anteriores eram 9 e 14 de setembro, respectivamente.

A comissão volta a se reunir hoje para continuar a debater o anteprojeto. Na reunião de ontem, os deputados voltaram a divergir em relação ao texto apresentado por Fontana.

Um dos mais incisivos foi o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), que cobrou a coincidência de mandatos, a janela para mudança partidária e alterações nas regras das federações partidárias, e financiamento público apenas para a lista fechada preordenada.

Em relação à data das eleições, Marcelo Castro sugeriu que os mandatos dos prefeitos e vereadores eleitos em 2012 sejam de apenas dois anos, para que haja a coincidência, em 2015, da posse de todos os cargos obtidos nas urnas em 2014.

Legenda - A janela partidária, na opinião de Castro, seria importante para que os eleitos por um partido pudessem "se adequar" e, eventualmente, trocar de legenda sem sofrer punições, desde que fizessem a mudança no fim do mandato. "Isso não enfraqueceria os partidos, pois só ficariam aqueles que comungam com seus ideais", argumentou.

O anteprojeto de Henrique Fontana não trata desses dois temas. A proposta, no entanto, determina o financiamento público exclusivo de campanhas para todas as candidaturas. Castro considera essa alternativa inviável com as candidaturas lançadas ao Legislativo fora das listas partidárias preordenadas.

Ele sugere que, nesse caso, as regras sejam as mesmas que as atuais, com os candidatos respondendo individualmente pela sua arrecadação financeira. "Ou todos disputam pela lista fechada ou o financiamento público exclusivo não se adapta ao sistema, pois não faz sentido o partido arcar com gastos individuais, como gasolina ou avião para os candidatos", criticou.

No caso da federação partidária, Marcelo Castro cobrou que os diretórios estaduais sejam impedidos de formar federações locais com partidos que não pertençam à federação nacional, possibilidade admitida no anteprojeto de Fontana.

Quociente - Alfredo Sirkis (PV-RJ) também sistematizou suas propostas. Ele defendeu que metade dos deputados federais e estaduais seja escolhida pela lista fechada com base no quociente eleitoral partidário, que pondere a média entre os votos dados à legenda e aos candidatos do partido nos "grandes distritos". A outra metade seria eleita nesses grandes distritos, em eleição majoritária, para definir os ocupantes de três a quatro cadeiras na Câmara dos Deputados.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

NOTA DE APOIO À FILIAÇÃO DE ROSE BASSUMA

 

Na polemica aberta no PSOL com a filiação de Rose Bassuma não está em jogo apenas a sua demanda individual, mas, fundamentalmente, o tipo de partido que queremos construir.

 

Para nós, o PSOL necessário deve ser um partido amplo, plural, e que busque se vocacionar para a disputa do poder, e não apenas para a propaganda doutrinária do socialismo. Um partido que organize e seja referência para todos aqueles que, com níveis diferenciados de consciência, buscam mudar estruturalmente os rumos do Brasil.

 

Queremos um partido que tenha elaboração política e posições sobre o maior numero de temas possíveis, mas que não faça da prévia concordância com todas, e com cada uma das suas resoluções, condição insuperável para a filiação. Queremos um partido que dialogue com a cultura do nosso povo, com a sua religiosidade, com suas tradições, e seja tolerante com as diferenças daí provenientes.

 

A esquerda latino americana que se reorganizou após o ciclo de ditaduras dos anos 60 e 70 contou com participação de milhares de ativistas católicos que, após as Conferências de Puebla e Medelin, e da consequente difusão da Teologia da Libertação, se engajaram na luta pelo socialismo. Protestantes de diversas denominações, espíritas, adeptos de religiões de matriz africana como o Candomblé e a Umbanda, entre outros, também se somaram à construção de partidos de esquerda. Trazem sua enorme contribuição, mas trazem também seus dogmas religiosos.

 

Na questão específica do aborto, concepções de foro íntimo ou de natureza política, religiosa ou espiritual se chocam com a posição aprovada no Primeiro Congresso do PSOL, favorável a legalização do aborto. 

 

Sem abrir mão de suas resoluções, o partido deve acolher esses militantes, garantindo o seu direito de divergência nesta questão, sem exigir silêncios obsequiosos nem leis de mordaça. O que não entra em contradição com a necessidade de construir um protocolo de comportamento  que compatibilize o direito de divergência individual, cláusula pétrea inalienável, com o veto a participação em campanha pública contra as posições do partido.

 

A carta de Rose Bassuma ao PSOL, no ato de sua filiação, dá conta destas preocupações. Por esta razão, nós, abaixo assinados, consideramos correta a filiação de Rose ao PSOL, e entendemos que sua eventual rejeição pelo partido configuraria uma opção lamentável pela construção de um partido seita, de "poucos e bons", sem real capacidade de dialogo com o nosso povo, e sem real capacidade de acumular forças para disputar hegemonia na sociedade brasileira.

 

Jean Wyllys - Dep. Federal PSOL-RJ

Janira Rocha - Dep. Estadual PSOL-RJ / Dir. Nacional do PSOL

Milton Temer - Exec. PSOL-RJ / Dir. Nacional do PSOL

Martiniano Cavalcante - Exec. PSOL-GO / Dir. Nacional do PSOL

José Luis Fevereiro - Executiva Nacional do PSOL

Elias Vaz - Vereador Goiania/GO - Exec. Nacional do PSOL

Jefferson Moura - Exec. Nacional PSOL / Pres. PSOL-RJ


   

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Surpreendente!. O discurso de Romário sobre as desapropriações para a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil

O discurso de Romário sobre as desapropriações para a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil

O deputado Romário (PSB-RJ) acaba de fazer o seguinte discurso na Câmara, em Brasilia:

Senhor Presidente,

Nobres colegas,

Quem me conhece, quem acompanha minha atuação como parlamentar, sabe que eu, como milhões de brasileiros, estou na torcida para que o país realize da melhor maneira possível a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

É por isso, inclusive, que tenho demonstrado preocupação e cobrado publicamente explicações das autoridades para os atrasos nos preparativos para esses eventos.

Por outro lado, assim como vários colegas da Comissão de Turismo e Desporto, tenho procurado chamar a atenção para a necessidade de que esse processo seja conduzido com absoluta transparência, com espírito cívico, e também para que não deixemos em momento algum de ter em mente o legado desses eventos esportivos, isto é, o que vai ficar para a nossa população depois que o circo for embora.

Por isso, Senhor Presidente, é que venho acompanhando com apreensão as notícias sobre o modo como têm sido realizadas, em alguns casos, as desapropriações para a realização das obras. Há denúncias e queixas sobre falta de transparência, falta de diálogo e de negociação com as comunidades afetadas, no Rio de Janeiro e em diversas capitais.

Há denúncias também de truculência por parte dos agentes públicos.

Isso é inadmissível, Senhor Presidente, e penso que esta Casa precisa apurar essas informações, debater esse tema.

Não podemos nos omitir.

Diante desse quadro, nosso país foi objeto de um estudo das Nações Unidas, e a relatora especial daquela Organização chegou a sugerir que as desapropriações sejam interrompidas até que as autoridades garantam a devida transparência dessas negociações e ações de despejo.

Um dos problemas apontados se refere ao baixo valor das indenizações.

Ora, nós sabemos que o mercado imobiliário está aquecido em todo o Brasil, em especial nas áreas que sediarão essas competições.

Assim, o pagamento de indenizações insuficientes pode resultar em pessoas desabrigadas ou na formação de novas favelas.

Com certeza, não é esse o legado que queremos.

Não queremos que esses eventos signifiquem precarização das condições de vida da nossa população, mas sim o contrário!

Também não podemos admitir, sob qualquer pretexto, que nossos cidadãos sejam surpreendidos por retro-escavadeiras que aparecem de repente para desalojá-los, destruir suas casas, como acontece na Palestina ocupada.

E, como frisou a senhora Raquel Rolnik, relatora da ONU, "Remoções têm que ser chave a chave". Ou seja, morador só sai quando receber a chave da casa nova.

É assim que tem que ser.

Tenho confiança de que a presidente Dilma deseja que os prazos dos preparativos para a Copa e as Olimpíadas sejam cumpridos, mas não permitirá que isso seja feito atropelando a Lei e os direitos das pessoas, comprometendo o futuro das nossas cidades. Espero que ela cuide desse tema com carinho.

É hora, Senhor Presidente, nobres colegas, de mostrarmos ao mundo que o Brasil realiza eventos extraordinários, sem faltar ao respeito com a sua população.

Era o que tinha a dizer. Muito obrigado.

sábado, 13 de agosto de 2011

Votem na Enquete

Companheiros(as), votem na enquete para prefeitura da Cidade de Vitória da Conquista, Bahia. Votem no companheiro Ronaldo Santos, do PSOL.


E votem. A enquente está do seu lado direito, abaixo.

Um abraço a todos

Ramalho. Presidente do PSOL Jequié

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Câmaras Municipais ganharão mais assentos em 2012


Foto: Gusmão Neto

Por Gusmão Neto
Em 2012, uma porção de municípios baianos aumentarão o número de cadeiras nas Câmara de Vereadores. O motivo é que no próximo ano já estará valendo a Emenda Constitucional 58, que altera o critério para definir o quantitativo de parlamentares em cada cidade. O Congresso estabeleceu um limite máximo de legisladores de acordo com a população.
De acordo com uma lista cedida ao Teia de Notícias pelo advogado eleitoral Ademir Ismerin, existem 24 possibilidades a respeito do quantitativo nas Câmara Municipais. Salvador por exemplo deve ganhar mais dois assentos no Legislativo e ficará com 43 vereadores, uma vez que a norma diz que municípios de até 3 milhões de habitantes podem agregar esse número de representantes. Feira de Santana, que tem cerca de 556 mil habitantes, salta de 21 para 25 vereadores.
No entanto, para que esse efetivo seja reajustado, é preciso que cada Câmara Municipal elabore uma Emenda à Lei Orgânica Municipal para solicitar essa alteração. Caso isso não seja feito, corre o risco de um Município perder o direito de abrir mais espaço para os representantes no Legislativo.


    

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

IFBA EM GREVE


Globo vai partir pra cima de Amorim


Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

Acabo de receber a informação, de uma fonte que trabalha na TV Globo: a ordem da direção da emissora é partir para cima de Celso Amorim, novo ministro da Defesa.

O jornalista, com quem conversei há pouco por telefone, estava indignado: "é cada vez mais desanimador fazer jornalismo aqui". Disse-me que a orientação é muito clara: os pauteiros devem buscar entrevistados – para o JN, Jornal da Globo e Bom dia Brasil – que comprovem a tese de que a escolha de Celso Amorim vai gerar "turbulência" no meio militar. Os repórteres já recebem a pauta assim, direcionada: o texto final das reportagens deve seguir essa linha. Não há escolha.



Trata-se do velho jornalismo praticado na gestão de Ali Kamel: as "reportagens" devem comprovar as teses que partem da direção.

Foi assim em 2005, quando Kamel queria provar que o "Mensalão" era "o maior escândalo da história republicana". Quem, a exemplo do então comentarista Franklin Martins, dizia que o "mensalão" era algo a ser provado foi riscado do mapa. Franklin acabou demitido no início de 2006, pouco antes de a campanha eleitoral começar.

No episódio dos "aloprados" e do delegado Bruno, em 2006, foi a mesma coisa. Quem, a exemplo desse escrevinhador e de outros colegas na redação da Globo em São Paulo, ousou questionar ("ok, vamos cobrir a história dos aloprados, mas seria interessante mostrar ao público o outro lado – afinal, o que havia contra Serra no tal dossiê que os aloprados queriam comprar dos Vedoin?") foi colocado na geladeira. Pior que isso: Ali Kamel e os amigos dele queriam que os jornalistas aderissem a um abaixo-assinado escrito pela direção da emissora, para "defender" a cobertura eleitoral feita pela Globo. Esse escrevinhador, Azenha e o editor Marco Aurélio (que hoje mantem o blog "Doladodelá") recusamo-nos a assinar. O resultado: demissão.

Agora, passada a lua-de-mel com Dilma, a ordem na Globo é partir pra cima. Eliane Cantanhêde também vai ajudar, com os comentários na "Globo News". É o que me avisa a fonte. "Fique atento aos comentários dela; está ali para provar a tese de que Amorim gera instabilidade militar, e de que o governo Dilma não tem comando".

Detalhe: eu não liguei para o colega jornalista. Foi ele quem me telefonou: "rapaz, eu não tenho blog para contar o que estou vendo aqui, está cada vez pior o clima na Globo." 

A questão é: esses ataques vão dar certo? Creio que não. Dilma saiu-se muito bem nas trocas de ministros. A velha mídia está desesperada porque Dilma agora parece encaminhar seu governo para uma agenda mais próxima do lulismo (por mais que, pra isso, tenha tido que se livrar de nomes que Lula deixou pra ela – contradições da vida real). 

Nada disso surpreende, na verdade.

O que surpreendeu foi ver Dilma na tentativa de se aproximar dessa gente no primeiro semestre. Alguém vendeu à presidenta a idéia de que "era chegada a hora da distensão". Faltou combinar com os russos.

A realidade, essa danada, com suas contradições, encarregou-se de livrar Dilma de Palocci, Jobim e de certa turma do PR. Acho que aos poucos a realidade também vai indicar à presidenta quem são os verdadeiros aliados. Os "pragmáticos" da esquerda enxergam nas demissões de ministros um "risco" para o governo. Risco de turbulência, risco de Dilma sofrer ataques cada vez mais violentos sem contar agora com as "pontes" (Palocci e Jobim eram parte dessas pontes) com a velha mídia (que comanda a oposição).

Vejo de outra forma. Turbulência e ataques não são risco. São parte da política. 

Ao livrar-se de Jobim (que vai mudar para São Paulo, e deve ter o papel de alinhar parcela do PMDB com o demo-tucanismo) e nomear Celso Amorim, Dilma fez uma escolha. Será atacada por isso. Atacada por quem? Pela direita, que detesta Amorim. 

Amorim foi a prova – bem-sucedida – de que a política subserviente de FHC estava errada. O Brasil, com Amorim, abandonou a ALCA, alinhou-se com o sul, e só cresceu no Mundo por causa disso.

Amorim é detestado pelos méritos dele. Ou seja: apanhar porque nomeou Amorim é ótimo!

Como disse um leitor no twitter: "Demóstenes, Álvaro Dias e Reinaldo Azevedo atacam o Celso Amorim; isso prova que Dilma acertou na escolha".

Não se governa sem turbulência. Amorim é um diplomata. Dizer que ele não pode comandar a Defesa porque "diplomatas não sabem fazer a guerra" (como li num jornal hoje) é patético.

O Brasil precisa pensar sua estratégia de Defesa de forma cada vez mais independente. É isso que assusta a velha mídia – acostumada a ver o Brasil como sócio menor e bem-comportado dos EUA. Amorim não é nenhum incediário de esquerda. Mas é um nacionalista. É um homem que fala muitas línguas, conhece o mundo todo. Mas segue a ser profundamente brasileiro. E a gostar do Brasil. 

O mundo será, nos próximos anos, cada vez mais turbulento. EUA caminham para crise profunda na economia. Europa também caminha para o colpaso. Para salvar suas economias, precisam inundar nosso crescente mercado consumidor com os produtos que não conseguem vender nos países deles. O Brasil precisa se defender disso. A defesa começa por medidas cambiais, por política industrial que proteja nosso mercado. Dilma já deu os primeiros passos nessa direção.

Mas o Brasil – com seus aliados do Cone Sul, Argentna à frente - não será respeitado só porque tem mercado consumidor forte, diversidade cultural e instituições democráticas. Precisamos, sim, reequipar nossas forças armadas. Precisamos fabricar aviões, armas. Precisamos terminar o projeto do submarino com propulsão nuclear.

Não se trata de "bravata" militarista. Trata-se do mundo real. A maioria absoluta dos militares brasileiros – que gostam do nosso país – não vai dar ouvidos para Elianes e Alis; vai dar apoio a Celso Amorim na Defesa, assim que perceber que ele é um nacionalista moderado, que pode ajudar a transformar o Brasil em gente grande, também na área de Defesa.

O resto é choro de anões que povoam o parlamento e as redações da velha mídia.

domingo, 7 de agosto de 2011

Nova Crise do Capitalismo


Ficaram famosas no meio político nacional as palavras de Juracy Magalhães, um dos tenentes dos anos 20 e participante do golpe militar de 1964, que, inquirido sobre as condições em que assumia, em junho de 1964, o posto de embaixador brasileiro em Washington,   respondeu: "O Brasil fez duas guerras como aliado dos Estados Unidos e nunca se arrependeu. Por isso eu digo que é o que bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil".

Passaram-se muitos anos a partir de então, mas a última frase seguiu sendo exemplificativa de um certo tom de subserviência que, ao longo do tempo, vem marcando as relações entre Brasil e Estados Unidos, sendo também um emblema para posturas  de exagerado louvor  à América,  notadamente por parte da  mídia majoritária em nosso país.

Essas considerações me vêm a propósito da atual situação por que passam os americanos, mergulhados em uma crise sem precedentes  e de difícil equacionamento. O jornalista Paul Krugman , conceituado colunista do "New York Times", chega a mencionar  que a evolução do problema poderá "empurrar os EUA para um padrão República de Bananas", acrescentando que o desfecho final dos desentendimentos que redundaram em um discutível acordo, "põe todo o sistema de governabilidade em questão".

Voltando à frase de  Juracy Magalhães, ela  não surgiu do nada. Na realidade, foi cunhada a partir de uma outra,  de  Charles Erwin Wilson, um manda-chuva da General Motors que, nomeado Secretário de Defesa pelo governo Eisenhower, teria dito, no Senado americano, que "o que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos, e vice-versa".  Ela também mereceu divertida versão do Presidente Lula que, interrogado  (em sua primeira visita a Washington) sobre as ligações entre o PT e o regime comunista da China, respondeu : "Eu não conhecia a China muito bem, até que o governo americano fez da China seu parceiro comercial preferencial. E eu pensei comigo mesmo:  se é bom para os americanos, deve ser bom para os brasileiros."  

Penso que o panorama que agora se vislumbra na economia americana permite a construção de uma nova frase , que parodia todas as anteriores:  definitivamente, o que está sendo um mal para os EUA não pode vir a ser um mal para o Brasil.

Obama está sendo empurrado contra a parede e derrotado em suas intenções por um segmento cujo fundamentalismo econômico abomina os valores sociais.  A presença crescente, nas grandes decisões nacionais,  do "Tea Party" – grupo ultradireitista, que prega a diminuição do Estado e radicaliza em relação à imigração e à religião - aponta para o ideários  de uma sociedade cada vez mais fechada e avessa aos interesses dos menos favorecidos.  Questões básicas, como a aplicação de maiores impostos  às grandes fortunas, ou a retirada de incentivos fiscais à indústria de petróleo, ou a diminuição de gastos com armamentos, ou a manutenção/implementação de benefícios sociais, não encontram eco na maioria dos congressistas americanos.

Decididamente, o que é bom para os republicanos americanos não é bom para os brasileiros. Precisamos, por isso, ficar atentos. E faço essa observação porque não é difícil perceber ligações ideológicas entre o que pensam os políticos americanos mais retrógrados e o que defendem, em nossa política, os segmentos derrotados nas últimas eleições e encastelados na oposição, sustentados pela grande mídia. Aqui também se reage às ações que buscam vincular às atividades do Estados às causas populares. E aqui também, perigosamente,  se tenta, pelo viés da instauração  de um clima de ingovernabilidade, evitar o prosseguimento de políticas voltadas para as grandes causas sociais.

Penso que   os Estados Unidos e os outros endividados países da Europa (Grécia, Espanha, Portugal, Itália, etc) estão pagando o preço devido pela atual versão do capitalismo, o preço de um liberalismo que se quer absoluto e que, em nome das leis de um mercado elevado à condição de Deus, dispensa preocupações sociais e reduz a quase zero os valores humanitários.  A crise americana é (mais uma) crise do capitalismo. Realmente, pelas suas dimensões, pode provocar consequências sem precedentes, inclusive em nosso país, dado o perverso sistema de vasos comunicantes que interliga planetariamente  o fato econômico. A desarticulação de uma economia (mesmo localizada)  enfraquece a todos. Por isso, é preciso muito cuidado para não embarcarmos, aqui, nesse navio em vias de afundar. 

Não sou dos que acreditam  na morte das ideologias. Não acho, por exemplo  que , com a queda do muro de Berlin, caíram os valores socialistas. Os próprios alemães, que derrubaram o muro,  não fizeram os mesmo com as estátuas dos filósofos Marx e Engels, que lá estão, em Berlin, como objeto de diária romaria dos simpatizantes. Porque uma coisa é a prática indevida, a ação nefasta, que deve ser rejeitada, e outra coisa são as ideias  que preconizam a redenção das grandes massa humanas no sentido  da superação das injustiças, ideais  imorredouros enquanto perdurarem as desigualdades sociais.

Obama, é óbvio, está longe de ser socialista. As soluções que propõe buscam apenas minimizar ou mascarar as perversidades de um sistema fundado no capital.  Mas enfrenta uma turma que até se arrisca a perder os dedos, por não querer ceder os anéis...

E eu fico, aqui, com as palavras de Eduardo Galeano, escritor e pensador uruguaio, que, num misto de visão profética, construção poética e convite à prática política, afirma que o sistema neoliberal não é o único possível e diz pressentir que há, mesmo neste mundo enlouquecido e infame , a gestação de um outro, uma gestação difícil , mas que vingará. Não sei se a minha geração assistirá a esse nascimento, mas é nisso que, firmemente, deposito todas as minhas crenças.

 Em tempo:

Por falar em palavras e crenças, quero deixar aqui meu abraço ao Eliakim e a todo o pessoal do DR , esse espaço que, nos seus dez anos de existência, propugna pelo exercício irrestrito da liberdade de expressão , crença maior  do ideário democrático.  

Sobre o autor deste artigoRodolpho Motta Lima

Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.