quinta-feira, 19 de maio de 2011

WAGNER MANDA CORTAR SALÁRIO DE PROFESSORES EM GREVE


Professores grevistas da UESB, UESC e UEFS tiveram seus salários cortados

D' Sudoeste Hoje.
Os professores das Universidades Estaduais de Feira de Santana (Uefs), de Santa Cruz (Uesc) e do Sudoeste da Bahia (Uesb), em greve há 21 dias, tiveram os salários cortados nesta quinta-feira (28) pela Secretaria Estadual de Educação (SEC). De acordo com o titular Osvaldo Barreto, em entrevista ao Bahia Notícias, a medida foi anunciada em nota pública divulgada pela pasta. Esta foi a maneira encontrada para pressionar os grevistas, que realizam nesta quinta um protesto em Salvador.
Os docentes, que se deslocaram em caravanas vindas do interior do estado, se concentram em frente ao Teatro Castro Alves, no Campo Grande. A categoria reivindica do governo a retirada de uma cláusula do acordo salarial de 2010, que impede melhorias salariais pelos próximos quatro anos e a revogação do Decreto 12.583/11, que reduz os gastos públicos no ano de 2011. BN


13/05/2011 - 14:30

Carta Aberta ao governador Jaques Wagner (PT-BA)

Quando a educação transforma-se em mercadoria e perde o seu valor

Por *Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva

Prezado Senhor Governador Jaques Wagner,

No dia do lançamento do Pacto Pela Educação na Bahia, véspera do Dia do Trabalhador e Dia das Mães, recebemos de V. sa., intempestivamente, o corte de nossos salários, mesmo tendo cumprido todas as exigências legais. Com menos de 22 dias em greve em luta por melhores condições de trabalho, permanência estudantil e garantia da autonomia universitária, recebemos um "presente de grego" pelo também Dia Mundial da Educação. A democracia e o diálogo, outrora bandeira de luta do Partido dos Trabalhadores, foram substituídos pela ameaça explícita à aqueles que resolveram protestar publicamente contra os desmandos de Vossa administração.

Gostaríamos de lembrar a V.sa, que há muito tempo não comparece a uma escola ou a uma universidade pública, que nós professores temos como missão educar. Isso significa permitir às novas gerações o acesso a diversos aspectos da vida humana às quais elas não "veriam" se não estivessem nessas instituições de ensino. Portanto, educar é ensinar a "ver", é desenvolver habilidades, é, principalmente, despertar sensibilidades, pois, segundo Rubens Alves, sem elas "[...] todas as habilidades são tolas e sem sentido, pois os conhecimentos nos dão os meios para viver e a sabedoria nos dá razões para viver." E esse tem sido o nosso papel.

Entrando em greve não paramos de cumprir com a nossa missão, pois estamos, assim, despertando em nossos alunos, e em toda a população baiana e brasileira, a sensibilidade para "ver" e não mais se conformar com o caos político implantado na Bahia.

Para tanto, a palavra tem sido o nosso mais significativo instrumento. Diuturnamente nós, professoras e professores deste imenso Estado da Bahia, estaremos, pela palavra, lembrando a todos que o Estado com o maior número de pessoas em extrema pobreza é a Bahia com 2,4 milhões; que sua taxa de homicídios é de 36 por 100 mil habitantes (enquanto a ONU estabelece como suportável para grandes cidades 12 por 100 mil); que mais de 12% do total de analfabetos do Brasil (14,1 milhões) está na Bahia: que 1,8 milhão de baianos com 15 anos ou mais (16,7% desta população) não sabem ler e escrever. Estaremos também, caro Governador, alardeando as ações tomadas por V.sa, através de suas diversas secretarias, que têm contribuído para continuar o sucateamento da educação.

Não bastassem esses problemas, lembraremos a todos os índices vergonhosos do IDEB, o número de evasão e de reprovação, os números ainda baixos de matriculados na educação básica (médio) e superior e a falta de ações e condições para permanência e sucesso dos estudantes; os baixos salários e o desrespeito aos servidores públicos, inclusive os da educação; o abandono e as ingerências nas áreas de Segurança e de Saúde e o desrespeito ao principio constitucional federal e estadual de Autonomia das Universidades Estaduais.

Senhor Jaques Wagner, informar de forma mentirosa um aumento de 87,6% no orçamento das universidades estaduais (Uneb, Uefs, Uesc e Uesb), de R$ 386,8 milhões em 2006, para R$ 725,6 milhões em 2011, quando deveria ser utilizado o ano de 2007 para comparação, omitindo a precariedade relacionada ao número de alunos, cursos, docentes, estrutura física, interiorização etc. das universidades estaduais da Bahia, não nos calará e não enganará a uma população que pode enxergar.

Nós, professores, não nos silenciaremos porque nos tirou os salários. E, em nossas salas de aulas, pela palavra, continuaremos a nossa missão de sensibilizar, pois, professores, alunos e funcionários, não podem e não devem ser tratados como mercadoria, a qual se compra a mais barata ou de menor qualidade; não somos moedas de troca, muito menos franquias e não podemos ser adquiridos em "lotes".

Senhor governador, "Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais…" (Rubem Alves). Mas os governos passam… e a educação, que não é mercadoria, ultrapassa o tempo de mandato dos gestores públicos.


*Reginaldo de Souza Silva – Doutor em Educação Brasileira, professor do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da UESB. Email: reginaldoprof@yahoo.com.br

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Vídeo sobre retaliação da PM ao movimetno negro

Compas,

 

encaminho link com o vídeo sobre a retaliação da PM ao movimento negro que protestou na capital paulista no último dia 13, contra o genocídio que sfrem cotidianamente  

 

 

saudações de luta

 

Lúcia Rodrigues

 

 

Em 13 de maio de 2011 22:27, Douglas Elias Belchior <negrobelchior@gmail.com> escreveu:

 

Truculência da polícia marca ato de 13 de maio em SP


O Comitê Contra o Genocídio da População Negra – SP promoveu uma grande manifestação pública de protesto na tarde desta sexta feira, 13 de Maio, Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo.


O Ato de 13 de Maio de Luta, que aconteceu na Praça Ramos, em frente ao Teatro Municipal, na capital paulista, teve seu início marcado pela truculência policial.

12 viaturas da PM com um efetivo de cerca de 30 homens fortemente armados tentaram impedir a manifestação, e aprenderam faixas e banners onde constavam denúncias acerca do grande de número de jovens mortos pela polícia.


Em sua abordagem, os policiais disseram se sentir "ofendidos" pelas frases e charges expostas nos materiais e que tal ação se caracterizaria como "apologia à violência".

Apesar da tentativa de diálogo por parte dos ativistas e da grande concentração de pessoas que cercaram policiais para manifestar apoio ao movimento, a PM apreendeu cartazes e banners.


Advogados e parlamentares foram mobilizados quase imediatamente. Ivan Valente (Psol), Adriano Diogo (PT), Leci Brandão (PCdoB) e Zé Candido (PT), ao lado de um comando do movimento, passaram a negociar com os policiais, que recuaram, mas não devolveram o material apreendido.


Ânimos exaltados e protesto contra o racismo e por justiça


Entre 12h e 20h, a mobilização que reuniu diversos movimentos negros, movimentos populares e sindicatos, dialogou com mais de 10 mil pessoas, que em vários momentos lotaram a manifestação. Discursos de lideranças e Intervenções artísticas de poesia, rap e dança afro emocionaram aqueles que paravam para participar do Ato.


Um dia antes, na ALESP


Um comando com organizações que compõem o Comitê Contra o Genocídio levou uma carta com reivindicações para um grupo de deputados da ALESP. Entre as exigências, foram encaminhadas a construção de uma audiência pública sobre o genocídio da população negra, além de uma campanha pela abertuda de uma CPI das policias e milícias em São Paulo. Além dos movimentos que compõem o COMITÊ, estiveram presentes os deputados Adriano Diogo, Zé Candido, Simão Pedro e representação de Leci Brandão, Carlos Granna e Alencar.


ABAIXO ALGUNS LINKS COM REPERCUSSÃO E FOTOS DO ATO DE 13 DE MAIO DE LUTA


http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/policiais-apreendem-cartazes-durantemanifestacao-contraria-ao-racismo-20110513.html

 

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/05/pm-apreende-faixas-em-manifestacao-contra-racismo-em-sao-paulo.html

 

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/915383-manifestacao-contra-mortes-de-negros-provoca-tumulto-em-sp.shtml

 

http://www.fotoarena.com.br/busca/index/t/Dia+Nacional+de+denuncia+do+Racismo+13-05-2011?ide=4636

 

 

SAIBA MAIS:


http://contraogenocidio.blogspot.com/

http://uneafrobrasil.blogspot.com/



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Douglas Belchior
Conselho Geral - Uneafro
(11)3105-2516 opção - (11) 7550-2800
www.uneafrobrasil.org

 

 

Chegará o dia

Não renuncieis ao dia que vos entregam os mortos que lutaram.

Cada espiga nasce de um grão entregue à terra,

e como trigo, o povo inumerável

junta raízes, acumula espigas,

e na tormenta desencadeada

sobe à claridade do universo.

 

Pablo NERUDA

 

Orkut: negrobelchior@yahoo.com.br
Blog: www.negrobelchior.blogspot.com
Twitter: @negrobelchior
FaceBook: Douglas Belchior

 


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Ousar lutar, ousar vencer
Carlos Lamarca

É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer
Carlos Marighella


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Anexo(s) de paulopasin

1 de 1 arquivo(s)

Atividade nos últimos dias:
Saudações Socialistas e Libertárias
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quinta-feira, 12 de maio de 2011

Origem da Palavra Favela

Para conhecimento:
 
 

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjXpEyVjFR_8jqbg3ZU1nlayKFNz_uVHo8nwHxf9qDTdiNC1PZFKNzpMRG-A9aeWznDuMPMjywZ_CM5nw7Y-h9csP1kamPwqN0_iN25-yAdw1jSdzCc_panC6uKiQ6q7SXqG8D5gbzZUegh/s640/Favela-com-o-Cristo-Redentor.jpg

Favela com o Cristo Redentor ao fundo

Você já parou para pensar qual o motivo de chamarmos os bairros pobres e sem infraestrutura de "FAVELAS"? Eu sempre achei que fosse um nome indígena ou qualquer coisa assim,mas a história é bem mais interessante que isto.

O origem do nome "FAVELA" remete a um fato marcante ocorrido no Brasil na passagem do século XIX para o século XX: a Guerra de Canudos.

Na Caatinga nordestina, é muito comum uma planta espinhenta e extremamente resistente chamada "FAVELA"

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgGOeVN3CUeSXxQJBWlxK4ydCmkRyw-EzlYGdS94x7YSstmbJUpZ1ghWEUd2POWEA10FiwDCEgJDPocg5xKaXSAS5qbenb5-jGlu5kMInRRruwscqb9V-00cr-uZR2oFaV26xINMucXInjw/s640/favela_planta.jpg

FAVELA ( Cnidoscolus phyllancatus)

Produz óleo comestível e combustível

Entre 1896 e 1897, liderados por Antônio Conselheiro, milhares de sertanejos cansados da humilhação e dificuldades de sobrevivência num Nordeste tomado de latifúndios improdutivos e secas, criam a cidadela de Canudos, no interior da Bahia, revoltando-se contra a situação calamitosa em que viviam.

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg1PK4VLTPzdsdXyKUX2_kycErOM-5BOq-q6W3Ay-3gtjAQw3tXNHWLsjauyePRWt57VuRHvj6JTy_OEBZ1o24CPZ2gxWZUOoXrFe-OICh-eb4ZylFj3XXpYwsHl31saCTAfP4A8FTBPXw8/s400/Canudos-mapa.jpg

Mapa da Região de Canudos - Bahia

Em Canudos, muitos sertanejos se instalaram nos arredores do "MORRO DA FAVELA", batizado em homenagem a esta planta.

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxiCdnvWgvoBbkWdJPesC18-V5VguS2ny1MbddNY1Jx6CllG2gXl_4ljF6ahUrJSoUu3rpxVSjBKkixYZ58gUY5gz2sCUeWxnxm5VGuN7z4gvDcjv69Q-air1DltYVu9X3kd8x0TgvLFEb/s640/estatua+canudos.jpg

Estátua de Antonio Conselheiro olha pela Nova Canudos

A cidade original foi alagada para a construção de um Açude

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgAoYA3PqfSuaJfi_99ieydEIfD4qJa0qN5ShtHGkbH-Qt1rrrF0xAQio03z5gHCnVIslg6KNR8hS3p9V5CUHWxitTXuPwentc5JCcqUvmV-_M4wTPJ2Q4MWeQRypu_nSh9EmoEXpxQZQ57/s200/canudos+antiga.jpgDescrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfKw98oZ00O5NfG-Y9GX6e5Aa4DC9KvSfZt9SaLj941Udb8HBj6A4CFj-oNoaSdMv0OyuliZfvOoM-_CREjk4ZFqsvZ5w85eiD0x_WBTVCdVx7vu8ohc96eLkc9o-nXCQAm3iwdGgKAp3m/s200/alto+da+favela+canudos.jpg

Morro da Favela em dois momentos: Guerra de Canudos (esquerda) e atualmente (Direita)

Com medo de que a revolta minasse as bases da República recém instaurada, foi realizado um verdadeiro massacre em Canudos, com milhares de mortes, torturas e estupros em massa, num dos mais negros episódios da história militar brasileira, feito com maciço apoio popular.

Quando os soldados republicanos voltaram ao Rio de Janeiro, deixaram de receber seus soldos, e por falta de condições de vida mais digna, instalaram-se em casas de madeira sem nenhuma infraestrutura em  morros da cidade (o primeiro local foi o atual "Morro da Providência"), ao qual passaram a chamar de "FAVELA", relembrando as péssimas condições que encontraram em Canudos.

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjobRDCRXx71JKOE3yO5gctwhchty210BFupt7HZeDTNDC9Mse_a17501K9gEj2xCWRcYulFL94iHypHTUoCFcm5cRfP9THr2c__NXc3aUul4s2YVdejikfin_0euryVQHfvb3u_92k1p4t/s640/morro+providencia+1a+favela+brasil.jpg

Morro da Providência em foto antiga. Onde tudo começou...

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgW3HYuDkyDuI1bLxgWSVTPFmLJXr1VSrKHaldMICZ0xeah7Cha8MBmMfHkUx0pbjdYyZyIZllYP2iEpCWDGUR_fO3E7eKJQNIa-27lYWp3P9bfJlLwORv8462BnhB7_Uw7p11MbMKF_5HR/s640/morro+da+provid%C3%AAncia.jpg

Morro da Providência atualmente

Este tipo de sub-moradia já era utilizado a alguns anos pelos escravos libertos, que sem condições financeiras de viver nas cidades, passaram também a habitar as encostas. O termo pegou e todos estes agrupamentos passaram a chamar-se FAVELAS.

Mas existem vários "MITOS" sobre as Favelas que precisam ser avaliados...

01 - Costumamos achar que as maiores Favelas do mundo encontram-se no Brasil, mas é um engano. Nenhuma comunidade brasileira aparece entre as 30 maiores do Mundo. México, Colômbia, Peru e Venezuela lideram o Ranking, em mais um triste recorde para a América Latina.

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfcQjkFq-Go42vS1kK_eAEPP5fGkBGvjivazS3sD6xJzoPPHG4b0nmbIkKIoeaePdbjWbaOH4tWBU42TRpf6Vs748mVN5ZBclIPMlWU6iHtZYp2yt_eMG2xHZt2j1VnxNUnB-sUYrUm2Lh/s640/30+maiores+favelas+do+mundo.png

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjckhrH7DnBW1FnY_1q7cUMyL1NRlxpp_fzxmvKFFzrKwRjRirYN81INIhnU0QUseF4q-69U0yJFgFOSP1T9mxM2DEesTYqTY3yb9MOwgM0Gqc4aHq0RUu_JmeNREQQkuqORmUwq7OaHhGD/s640/maior+favela+do+mundo+neza+mexico.jpg

Vista aérea da Favela de NEZA, nas proximidades da Cidade do México.

A Maior do Mundo, com mais de 2,5 milhões de Habitantes

02 - Outro engano comum é achar que as Favelas são um fenômeno "terceiro-mundista", restrito a países subdesenvolvidos ou emergentes. Apesar de em quantidade bem menor, países desenvolvidos como Espanha também tem suas Favelas, chamadas por lá de "Chabolas".

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjA5ntfVYYfwpTmD2JcH6ZZiUPGzlx4-7JWSLknNDwxRG7__9cNWRrZpfzvI33eZ2gUP9Dm6eD6fX5msL3v3KpY92IBobNW33ttZAv0HQn_dgnUCRLWECKO4ZXMovDpV0yYcgcUfIzYWzEc/s640/chabolas+madrid.jpg

Chabolas madrileñas, as favelas espanholas

03 - E um terceiro mito é o de que as Favelas apenas aumentam, não importa o que o governo faça...A especulação imobiliária e planos governamentais já acabaram com algumas favelas, mesmo no Rio de Janeiro. O caso mais famoso é o da Favela da Catacumba, ao lado da Lagoa Rodrigo de Freitas, que foi extinta em 1970. A Favela do Pinto também é um outro exemplo... Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMjyRAcQryB_cOPm0kk1srSnCBU9wQQtdffgMfo8tdyWp6Ur9ezLeHz7iqMzu9MVIz83hG0-uwSrw1IgdKDECJDKSnNcqdU2Zmqx8lGVh9m217InpKEyZBT3hOUgWORfsbijErW08YIL1U/s640/favela+catacumba+antiga.jpg

Favela da Catacumba na Década de 60. Hoje, parque e prédios de luxo

Dizia-se que no local existiu um Cemitério Indígena.

ORIGEM DOS NOMES DE ALGUMAS FAVELAS DO RJ

http://www.favelatemmemoria.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=36&sid=3

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRggWQ3W9KiKfhErntodwC8EQfyO5i48Xblcvv9Vx_kea_nmr5mIBjV8gaf4ePsD7Bcwfd8SNn78PNecX5Doh4R_BCxeT4eu7YULXnYmGlm4LZXvSqY6Hli4wn2k1d94G_J8taOiZhevuB/s640/morro+da+babil%C3%B4nia.jpg

Vista do Morro da Babilônia com Corcovado ao fundo

Babilônia

A vegetação exuberante e a vista privilegiada de Copacabana levou os moradores a compararem o local com os "Jardins Suspensos da Babilônia".

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjpxnsgewIDtck7ZpTVBky9MQmasn7hpwW6_JTSU0rZivn81-KXEahjQgbKBqTngirXif1IMdBhyphenhyphen6FE-q6MvmsQXyoXMiFtWlM6xrhyphenhyphenUdjuj-6NdwoYFTStHH9BibHCFy-yU748oNdirF-L/s640/rocinha.jpg

Rocinha

Rocinha 
Nos anos 30, após a crise da Bolsa de 1929 que levou vários produtores de café à bancarrota, o  terreno da Fazenda Quebra-Cangalha foi invadido e dividido em pequenas chácaras, que vendiam sua produção na Praça Santos Dumont, responsável pelo abastecimento de toda a Zona Sul da cidade. Quando os clientes perguntavam de onde vinham os legumes, diziam: "-É de uma tal Rocinha lá no Alto da Gávea"

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg6eXCFbEF4Om55U8t7dePUmUnHc_37nkStqRQoa6OQNRpIZMeP8fGiMyRJ8S4TK8cc0hmHl9wtOen_3Fha6LuaZdYPkOI9gnG1mJlBRfyz9j0EVs0RT7f2_Fu6bGSii7BjnxNeR-cVZX-C/s640/morro+da+mangueira.jpg

Morro da Mangueira

Mangueira

Nos anos 40, na entrada da trilha de subida do Morro, que na época ainda era coberto pela mata, foi colocada uma placa que dizia: "Em breve neste local, Fábrica de Chápeus Mangueira". A fábrica nunca foi construída, mas a placa permaneceu, batizando uma das mais emblemáticas comunidades cariocas.

 

Morro do Vidigal

Vidigal

Em homenagem ao dono original do terreno onde hoje se localiza a Favela, o Major Miguel Nunes Vidigal, figura muito influente durante o Império.

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.
Nelson Mandela


Bolívia cria Lei da Mãe Terra

País dá exemplo ao mundo

A Bolívia está em vias da aprovar a primeira legislação mundial dando à natureza direitos iguais aos dos humanos. A Lei da Mãe Terra, que conta com apoio de políticos e grupos sociais, é uma enorme redefinição de direitos. Ela qualifica os ricos depósitos minerais do país como "bençãos", e se espera que promova uma mudança importante na conservação e em medidas sociais para a redução da poluição e controle da indústria, em um país que tem sido há anos destruído por conta de seus recursos, informa o Celsias http://www.celsias.com/article/bolivia-set-pass-world-first-laws-giving-all-natur/.

Na Conferência do Clima de Cancun, a Bolívia destoou da maioria quando declarou que todo o processo era uma farsa, e que países em desenvolvimento não apenas estavam carregando a cruz da mudança do clima como, com novas medidas, teriam de cortar também mais suas emissões.

A Lei da Mãe Terra vai estabelcer 11 direitos para a natureza, incluindo o direito à vida, o direito da continuação de ciclos e processos vitais livres de alteração humana, o direito a água e ar limpos, o direito ao equilíbrio, e o direito de não ter estruturas celulares modificadas ou alteradas geneticamente. Ela também vai assegurar o direito de o país "não ser afetado por megaestruturas e projetos de desenvolvimento que afetem o equilíbrio de ecossistemas e as comunidades locais".

Segundo o vice-presidente Alvaro García Linera. "ela estabelece uma nova relação entre homem e natureza. A harmonia que tem de ser preservada como garantia de sua regeneração. A terra é a mãe de todos". O presidente Evo Morales é o primeiro indígena americano a ocupar tal cargo, e tem sido um crítico veemente de países industrializados que não estão dispostos a manter o aquecimento da temperatura em um grau. É compreensível, já que o grau de aquecimento, que poderia chegar de 3.5 a 4 graus centígrados, dadas tendências atuais, significaria a desertifição de grande parte da Bolívia.

Esta mudança significa a ressurgência da visão de um mundo indígena andino, que coloca a deusa da Terra e do ambiente, Pachamama, no centro de toda a vida. Esta visão considera iguais os direitos humanos e de todas as outras entidades. A Bolivia sofre há tempos sérios problema ambientais com a mineração de alumínio, prata, ouro e outras matérias primas.

O ministro do exterior David Choquehuanca disse que o respeito tradicional dos índios por Pachamama é vital para impedir a mudança do clima. "Nossos antepassados nos ensinaram que pertencemos a uma grande família de plantas e animais. Nós, povos indígenas, podemos com nossos valores contribuir com a solução das crises energética, climática e alimentar". Segundo a filosofia indígena, Pachamama é "sagrada, fértil e a fonte da vida que alimenta e cuida de todos os seres viventes em seu ventre."

quarta-feira, 11 de maio de 2011

ARTIGO: O Degradante Trabalho Policial - Heloísa Helena.



O Degradante Trabalho Policial

 

         "Pela Melhoria das Condições de Salário e Trabalho nas Polícias"

 

*Heloísa Helena

 

          Uma preliminar: minha total solidariedade às vítimas da brutalidade policial e minha repulsa ao policial infrator, torturador e que estabelece a condenável promiscuidade com o crime organizado. Eu mesma já fui vítima... seja, na minha adolescência, com o assassinato do meu irmão Cosme Luiz - com vários tiros de espingarda 12 – seja contra o meu próprio corpo e minha dignidade pessoal e política. Mas explicito da mesma forma e intensidade a minha solidariedade aos policiais que perderam suas vidas ou foram mutilados na tentativa de exercer com dignidade as suas atribuições em precárias condições de trabalho.

           É fato incontestável que em todos os setores da sociedade – na política, justiça, polícia, empresariado, imprensa, etc. – existem aqueles que devem ser chamados de imprestáveis, mas existem também os que dignificam suas profissões e honram as Instituições em que trabalham. A maioria dos trabalhadores das Polícias tenta de forma inconteste zelar pelo cumprimento dos seus deveres mesmo diante das gigantescas dificuldades enfrentadas.

          A situação dos trabalhadores civis e militares na área de Segurança Pública constitui uma das maiores aberrações do aparato estatal em Alagoas e em outras unidades da Federação. Daí a absoluta urgência em garantir a melhoria das condições de salário e trabalho para todos (as) que são expostos a estressores e riscos de dimensão extraordinária para o cumprimento das suas obrigações profissionais.

          Existem no cotidiano desses profissionais gravíssimas situações de degradação que de forma inimaginável estão corroendo a vida de homens e mulheres que são submetidos a essas ocorrências para o complexo desenvolvimento das suas atividades. São muitos os fatores que mostram a imensa diferença entre a organização do trabalho prescrito e a vivência do trabalho real lidando diretamente com a Vida... situações extremas onde se pode tirar a vida de outro e se pode perder a própria vida, sendo ao mesmo tempo fonte e alvo da violência e experimentando diariamente grandes perdas emocionais e materiais que podem acabar por gerar mais violência.

           A degradação acontece pelo cotidiano de longas jornadas de trabalho perigoso e exaustivo, de recursos materiais insuficientes, de insatisfação com a atividade e a remuneração, de dificuldades na ascensão profissional e muitos outros eventos traumáticos que levam à depressão, ao alcoolismo e uso de outras drogas psicotrópicas, a crônicos problemas cardiovasculares, aos transtornos psiquiátricos muito graves e vários outros problemas de saúde. Todos esses fatores constituem risco permanente para os trabalhadores e suas famílias e impactam negativamente no exercício das atividades essenciais na Segurança Pública.

          O mais grave é que além do processo degradante no cotidiano das suas atividades institucionais os períodos de folga, licença ou férias não conseguem ser plenamente utilizados para recuperação física e emocional, para o descanso, lazer e fortalecimento dos vínculos afetivos. Os policiais têm o dever de agir – flagrante compulsório e não facultativo - em situação de flagrante delito em qualquer momento independentemente de estar ou não no exercício da sua atividade funcional o que gera mais sobrecarga para esses trabalhadores em condições mais precárias e sem o suporte operacional. Além disso, os miseráveis salários recebidos por eles acabam levando-os ao exercício de atividades laborais complementares (os "bicos") em muitas vezes comprometendo sua imparcialidade nas decisões e fragilizando mais ainda a sua atuação no exercício profissional e a sua própria segurança pessoal.

          As propostas são muitas e delas já tratei detalhadamente em artigo neste mesmo periódico como contribuição ao debate sobre alternativas para redução da violência em Alagoas e no Brasil, seja relacionada às Políticas Sociais ou à estruturação do Aparato Institucional de Segurança Pública. E continuo lutando, mesmo sabendo que a maioria dos agentes públicos não trabalha verdadeiramente por isso e se comporta cinicamente como políticos bandidos protegidos por seus carros blindados e seguranças fortemente armados. Mas, no atual momento, a intensidade da precarização nas condições de trabalho e a indignidade salarial nas polícias impõe a agilidade da aprovação no Congresso Nacional das Propostas relacionadas ao Piso Salarial para os Servidores Policiais (a PEC 300 e outras a ela apensadas extensivas aos Bombeiros, Policiais Civis, Agentes Penitenciários, etc.) e implementação imediata em Alagoas de uma política salarial de recuperação da dignidade profissional aos trabalhadores da Segurança Pública.

 

Senadora Heloísa Helena - PSOL

 

 

 

 

         


segunda-feira, 9 de maio de 2011

ARTIGO: Feliz Dia das Mães! - Heloísa Hlena.


Feliz Dia das Mães!

         

*Heloísa Helena.

A minha mãe Helena foi como nós costumamos falar "pai-e-mãe"... meu pai Luiz morreu de câncer ósseo com apenas 35 anos quando eu era ainda uma bebezinha de 2 meses! E foi minha mãe, em nossa pobre casa no interior de Alagoas, quem me ensinou as mais belas lições de Coragem, Honestidade e Solidariedade!

          A Coragem por ser uma desbravadora... cresceu no sertão, ficou órfã aos 14 anos, ajudou a criar os irmãos no "cabo-da-enxada" e só foi ser totalmente alfabetizada quando eu consegui entrar na escola com 8 anos e ela voltou a estudar! Virava as noites numa máquina de costura... nunca esquecerei o som do pedal da máquina enquanto eu muitas vezes sentava ao lado com minhas crises de asma ou problema renal ou pulmonar. Aliás, eu tinha tanto problema de saúde que todo ano diziam que eu ia morrer... era tanta promessa que faziam que com 7 anos eu tinha o cabelo no joelho e quando cortaram (pagando promessa) eu cai da cadeira de tanta leveza que deu desequilíbrio! Risosss... e pra azar do banditismo político eu vivi muito mais!

          A Honestidade pelo exemplo... nunca esqueço de um dia em que ela me obrigou a devolver minúsculas continhas azuis que sobraram de um vestido que ela costurava e eu as achei e preguei num vestidinho de uma boneca! Na hora não consegui entender e briguei tanto que levei mais uma surra! Exceto a surra a lição foi maravilhosa... entrei no mundo podre da política e não fui contaminada em nenhum momento por esse  submundo putrefato! Aprendi a Honestidade para as grandes coisas pelos ensinamentos nos pequenos exemplos... e certo dia mergulhando na linda Praia do Francês vi a enorme concha mais bela da minha vida... era tão linda que sentei nas pedras para visualizar seu esplendor à luz do sol... e depois humildemente a devolvi mesmo sabendo que talvez alguém acabasse levando-a pra enfeite e desabrigando seu antigo morador!

          A Solidariedade aprendi na caridade sincera, que nada tem a ver com o assistencialismo demagógico... minha mãe doava a quem pedisse em nossa porta o alimento que já era tão pouco em nossa mesa! Ela conhecia como poucos a partilha do pão! E podia compartilhar em nossa pequena casa (onde eu dormia com ela numa cama na sala!) da tolerância religiosa aos pequenos gestos cotidianos de bondade humana.

          Neste Dia das Mães minha homenagem é para Dona Helena e para tantas outras mulheres que foram presença inestimável ao longo da minha vida como se fossem também minhas mães e que me ajudaram a ser uma mãe, especialmente generosa e amiga para os meus filhos, minha netinha e tantos mais dos nossos filhos da humanidade!

          Minha homenagem é para todas as Mães... dos seus filhos do útero e dos seus filhos do mundo... esquecidas ou lembradas, presenteadas ou humilhadas, simples ou sofisticadas... Mães... e assim reproduzo (mesmo reconhecendo que alguns homens são como mães aos filhos) para todas as Mães, que são na verdade grandes mulheres, a simples mas emocionada homenagem que fiz no Dia da Mulher:

          "Dia Internacional da Mulher... são muitas histórias para explicar o surgimento da data...das mulheres socialistas nas ruas do leste às lutadoras operárias americanas tecelãs de tecido lilás!

          As histórias de agora também são muitas... parecem mesmo aquela que Galeano contava de uma antiga mulher de imensa saia cheia de bolsinhos, em cada um deles papeizinhos que ao serem retirados ressuscitavam esquecidos e mortos e todas as andanças do bicho humano.

          Queiramos ou não em cada uma de nós recontamos as muitas histórias de outras mulheres espalhadas pelo mundo... no silêncio da neve ou da solidão, nas dunas do deserto ou do mar, nos sertões ou nas cidades, na imensidão das florestas ou das pedras cortadas pelos rios... Afinal, sorrisos e lágrimas são mesmo iguais em qualquer lugar do mundo!

          A nossa Coragem vem lá das negras guerreiras que foram açoitadas, marcadas com ferro em brasa, penduradas em ganchos de ferro que lhes atravessavam as costelas, mas nada foi capaz de impedi-las de lutar a gloriosa – mesmo que nem sempre vitoriosa - luta da liberdade!

         A nossa Intuição vem lá das índias – lobas, corujas, águias, ursas, beija-flores... – decifradoras dos mistérios das matas, florestas, caatingas... colhendo as folhas de todos os remédios e seguindo as estrelas com seus filhos pendurados dividindo leite com outros bichinhos!

        A nossa Liberdade vem de muitas mulheres... brancas, negras, gordas, magras, novas, antigas, de todas as religiões ou sem nenhuma delas... livres e ousadas para usar o mais vermelho dos batons e sair mundo afora como mestras das artes do encantamento... ou livres e ousadas de cara lavada feito lírios dos campos e ostentando as rugas talhadas pelas dores do tempo!

          De nada valerá a inveja entre nós... a vã tentativa de apagar na outra o brilho que gostaríamos de ter. De nada valerá a perseguição implacável às outras... reproduzindo as línguas cínicas, machistas e maldosas que condenam nas mulheres o que nos homens aplaudem.

          Somos todas igualmente mulheres andarilhas e lutadoras do povo ou condenadas nas prisões domésticas olhando a vida pelas brechas das suas janelas... Somos todas donas do nosso amor e do nosso corpo ou vendidas com a alma dilacerada e a auto-estima destruída... Somos todas em cada uma de nós... em tristezas, alegrias, amores, segredos dolorosos, fraquezas inconfessáveis...apenas Mulheres... e Grandes Mulheres... untadas nos perfumados óleos de ternura e fúria... ostentando as cicatrizes que as lágrimas deixaram na alma como sinais sagrados das suas lutas... colhendo flores e frutos e semeando Vidas nesta maravilhosa experiência de ser Mulher!"

 

HELOÍSA HELENA  é vereadora pelo PSOL em Maceió.

Twitter: @_heloisa_helena

E-mail: heloisa.ufal@uol.com.br

 

terça-feira, 26 de abril de 2011

A barbárie na Saúde Pública: Artigo de Heloísa Helena

Heloísa HelenaHeloísa HelenaQualquer pessoa de bom senso, independentemente de filiação partidária ou convicção ideológica, fica definitivamente estarrecida e indignada com a situação de completa irresponsabilidade, incompetência e insensibilidade na prestação dos Serviços Públicos de Saúde.

A angústia é intensa para quem conhece o Arcabouço Jurídico do Sistema Único de Saúde, o Perfil Epidemiológico, a Rede instalada, o conjunto de Normas Técnicas e Operacionais, os Convênios, os Programas de Saúde, os Manuais, os Parâmetros para Programação das Ações de Saúde – da Atenção Básica à Média e Alta Complexidade e etc, etc... e torna-se mais dolorosa para quem trabalha diretamente com o desespero de milhares de pobres implorando por Assistência e ainda tendo que ouvir a desprezível cantilena cínica e mentirosa dos Governantes para justificar a ausência de eficácia e resolutividade no Setor Saúde, seja nas cidades do interior ou na capital.

Nada mais doloroso há do que a certeza de que nenhuma proposta precisa ser criada, nenhum projeto novo inventado, nenhuma lei a ser aprovada... necessitamos apenas do cumprimento da Legislação em vigor; do respeito à tão discursada Legalidade; do Financiamento conforme manda os Princípios Doutrinários do SUS e os Princípios Administrativos que deles derivam; da Execução de Reformas e Construções de Projetos já prontos; e portanto da preservação de Dignidade no atendimento ao ser humano, no momento mais fragilizado da sua existência, conforme é esperado em qualquer sociedade que se proclame civilizada.

Para melhor analisar a prestação desses Serviços – sem a hipocrisia fria de alguns políticos ladrões e "calminhos" - tentemos o delicado e precioso exercício imaginário da verdadeira Solidariedade... Imagine um corredor hospitalar com um amontoado de macas, cadeiras, gemidos, gritos, odores, feridas apodrecidas... e no meio dessa infinita indigência humana visualize a sua Mãe, idosa, doente, jogada num colchonete no chão, suja de fezes e urina, num calor insuportável, semi-nua sem um trapo de pano sequer para cobrir e preservar sua intimidade... O que você faria??

Vejamos mais... visualize a sua Esposa amada, mãe dos seus filhos pequenos, que detectando um tumor na mama, perambula mais de um ano tentando consultas e exames, e mesmo depois de identificar - em intensa tristeza e desespero – que tem uma neoplasia maligna e existe a necessidade de uma cirurgia mutiladora como a mastectomia, ela não consegue nenhum leito público para ao menos arrancar um tumor cancerígeno a cada dia invadindo mais o seu corpo... O que você faria??

Imagine mais... a sua Filha - que você acalentou nos braços pequenina – grávida, gemendo de contrações, humilhada nas portas das maternidades, precisando ao menos de um lugar seguro para realização de um parto e não conseguindo o atendimento, começa a sangrar e perde seu pequeno bebezinho... O que você faria??

Ah! Se fosse com seus entes queridos e amados você dava escândalo, gritava, exigia dignidade, faria o impossível para garantir a realização dos procedimentos necessários... Porque o mesmo não pode ser feito pelos nossos irmãos, filhos (as) do mesmo Deus Pai que nas Igrejas louvamos e no cotidiano muitos negam pela omissão da oferta de Amor e Caridade tão discursada nas Religiões e tão distanciada por tantos que se intitulam "ungidos e fiéis"...

É exatamente pela omissão e cumplicidade de muitos eleitores, que as necessárias mudanças estruturais – a curto, médio e longo prazo – demoram tanto a acontecer... porque para muitos agentes públicos, na política especialmente, o caos na Saúde Pública constitui o melhor dos mundos para eles... por um lado garante a preservação dos seus Reinados de Podres Poderes através das indignas condições dos pobres rastejando nos comitês eleitorais mendigando por consultas, remédios, exames... e por outro lado preservam os intocáveis amigos de certos políticos, verdadeiros Comerciantes de Saúde que a cada dia, pela ausência de Gestão Pública, são impulsionados a construir Castelos de Riquezas na Mercantilização da Saúde em novas e ao mesmo tempo arcaicas modalidades de Privatização do Setor. Temos que dizer BASTA! BASTA!

Ao menos, lembremos o que lindamente dizia Casaldáliga "É preciso saber esperar... sabendo ao mesmo tempo forçar... as horas de extrema urgência... que não nos permite esperar..."

segunda-feira, 18 de abril de 2011

ARTIGO: "Olho na defensiva com a reforma política" - Edilson Silva.


Por Edilson Silva

 

O debate sobre a reforma política está na pauta do país. A insatisfação da população com a "política" é o seu fator propulsor, contudo, são exatamente aqueles que em sua maioria criam esta insatisfação que estão na proa deste processo de reforma. Logo, podemos estar diante não de uma possível reforma, mas de uma contra-reforma, ou seja, a emenda pode ficar pior do que o soneto.

 

Uma reforma política de verdade passaria necessariamente pelas preocupações constantes na Plataforma dos Movimentos Sociais (http://www.reformapolitica.org.br/biblioteca.html), que tenho acordo no fundamental, pois trata a democracia como um sistema, e não como uma colcha de retalhos de interesses corporativos. Nesta plataforma, trabalha-se a partir de um diagnóstico correto da patologia política que vivemos: déficit de representatividade e falta de participação popular, que trazem como subproduto este desvínculo do poder público com os interesses republicanos e democráticos. Os "homens públicos" que foram escalados para debater e apresentar sugestões – há as exceções, claro - sobre esta reforma são exemplos deste desvínculo: Paulo Maluf, Waldemar da Costa Neto e outros feitos a partir da mesma matéria-prima.

 

Entre a lógica sistêmica e coerente apresentada pela plataforma dos movimentos sociais e as intenções dos grupos dominantes na política brasileira existe um abismo considerável. Prova maior disso é a proposta que vem sendo chamada de "distritão", que prevê o fim do voto proporcional em chapas e coligações, determinando que os candidatos mais votados sejam os diplomados, o que consolidaria os partidos como meros apêndices de caciques. Esta proposta tem até um certo apelo junto à população, que por motivos vários acabou fulanizando a política e pensa da seguinte forma: como pode um candidato mais votado "não entrar" e outro menos votado "entrar"?

 

A solução, no entanto, não passa por personalizar o voto, o que seria o aprofundamento dos graves problemas já existentes – como a transformação descarada de políticos em lobistas diretos de interesses privados -, mas passa sim por vincular o voto a um projeto político, a um ideário que esteja claro no momento do voto. Para tanto, enquanto não se pensa em outro mecanismo possível, o próximo passo possível parece ser a eleição em lista partidária pré-ordenada, com o voto somente no número da agremiação partidária. Este mecanismo, para ser coerente com sua essência, pressupõe financiamento exclusivamente público das campanhas eleitorais e dos partidos políticos.

 

Outra proposta que sempre aparece nos momentos de se discutir mudanças no sistema político e eleitoral, e agora não está sendo diferente, é a cláusula de barreira, que limitaria ou impediria os pequenos partidos, mesmo com representação no Congresso Nacional, de participarem plenamente da vida política do país: sem pleno funcionamento parlamentar, sem acesso aos programas de TV e rádio e possíveis de serem segregados nos debates e programas de TV e rádio nos processos eleitorais, sendo transformados em meros figurantes da política.

 

O pseudo-argumento para esta cláusula de barreira é evitar que partidos com pouca representação, do ponto de vista quantitativo, operem na política, pois seriam partidos de aluguel. Este pseudo-argumento omite, malandramente, o fato de que aluguel só se estabelece numa relação bilateral, ou seja, alguém paga pelo aluguel. Então, qual seria o remédio para a outra parte neste ilícito eleitoral?

 

Outra questão ainda mais importante neste debate sobre cláusula de barreira: em política não se mede relevância apenas por critérios quantitativos, mas qualitativos. O PSOL, por exemplo, possuía na legislatura passada apenas um deputado estadual no Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, mas este foi protagonista na CPI das Milícias, sendo seu presidente, CPI que vem tendo repercussões profundas na sociedade fluminense. No senado, na presente legislatura, quando todos os outros partidos curvaram-se à candidatura única de José Sarney, coube ao PSOL, com apenas dois senadores, apresentar uma alternativa, com o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Na Câmara dos Deputados, onde o PSOL possui apenas três deputados, o deputado Jean Willys (PSOL-RJ), só para ficar neste exemplo, vem enfrentando brava e brilhantemente os setores mais conservadores daquele poder. Há vários anos todos os parlamentares do PSOL na Câmara (nunca tivemos mais que três parlamentares) são eleitos pela imprensa especializada entre os dez melhores parlamentares daquela Casa. Ou seja, tamanho, em política, não é documento.

 

Por esta razão, a sociedade deve estar atenta sobre os debates e soluções saídas das comissões do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Distritão e cláusula de barreira são na verdade duas contra-reformas, dois atrasos na já insuficiente democracia brasileira. Precisamos buscar avançar, mas não podemos descuidar da defensiva.

 

 

 

Presidente do PSOL-PE

Executiva Nacional do PSOL

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